A beleza de Adriane; sua fama conquistada com um livro de enorme sucesso; os cuidados de uma superprodução na Grécia; a câmera mágica do fotógrafo J.R. Duran; e a própria concepção do ensaio, em que o mago procurou uma simbólica revelação de sensualidade diá-ria, pincelando um cotidiano impressionista em torno da suave musa, tudo isso contribuiu muito para a marca recorde de vendas da revista — 1 milhão de exemplares — e a sensacional repercussão do trabalho. Mas tudo tem um eixo — e o da polêmica armada depois da publicação da edição de agosto de PLAYBOY foi a doce imagem de Adriane Galisteu sentada num sofá, com os pelos pubianos cobertos de espuma e um aparelho de barba na mão. A foto, todos se lembram, retrata aquele momento único em que a mulher — qualquer mulher — esculpe seu próprio corpo para revelá-lo a um
amante. É uma daquelas raras fotografias em que se pode enxergar, além da cena, a intenção da personagem observa o empresário da noite e colunista social Luciano Huck, do Jornal da Tarde, de São Paulo. E aí reside o aspecto inédito da foto de J.R. Duran, que a imaginou antes mesmo de embarcar para a Grécia, quando ele próprio se entregava ao ritual bimensal, no seu caso, de barbear-se. Lembrou-se, então, que o ultra polêmico artista plástico americano Andy Warhol, já falecido, havia feito uma foto de Bianca Jagger raspando embaixo do braço — o que limitou definitivamente as áreas a explorar no restante do corpo de uma mulher com um aparelho de barba na mão. "Fi-lo porque qui-lo", tem respondido Duran, brincalhão, aos que lhe
pedem informações sobre a composição daquela cena.
Revista Playboy - Dezembro 1995





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