ENTREVISTA
ADRIANE GALISTEU
"Todos os dias, tenho a certeza de que nasci pra isto"
Nasceu em São Paulo, mas descende de espanhóis e de húngaros, uma mistura explosiva que lhe confere a personalidade especial.
Adriane Kelemen Galisteu começou a carreira há 30 anos, na música, e ganhou destaque mundial quando o namorado, o consagrado piloto Ayrton Senna, morreu num acidente de Fl.
Entretanto, não voltou a cantar. Foi modelo, apresentadora e atriz, e tornou-se numa das figuras mais carismáticas da TV brasileira.
texto Ana Rita Dinis
Começou a trabalhar cedo para ajudar a família. Isso tornou-a mais forte e responsável?
Comecei aos nove anos. E, com essa idade, a profissão é como uma brincadeira. Demorei um bocado até entender a diferença entre brincar e trabalhar naquilo que gostava. Porém, sempre tive certeza do meu caminho. Sim, acho que as dificuldades nos tornam mais responsáveis, mais fortes. São as necessidades que transformam o nosso dia a dia, pelo menos é o que eu acho.
Durante a infância, teve uma breve experiência na música. Nunca mais pensou em cantar?
Comecei aos 10 anos num grupo chamado Chispitas, autor da música de uma novela mexicana que fez muito sucesso no Brasil A banda durou o tempo da novela. Depois, aos 14, entrei noutra banda chamada Meia Soquete, onde fiquei até aos 17 anos. A experiência na música fez parte da minha vida durante muitos anos. Ganhei discos de ouro, de platina, participei em tudo o que era programa de TV, mas agora não canto nem no chuveiro. [Risos]
Desde essa época passaram mais de 30 anos. Entretanto, trabalhou como modelo, atriz e apresentadora. Em que área se sente mais realizada?
Não gosto nem de pensar que já passaram 30 anos, mas enfim... Hoje é muito claro que não havia outra escolha na vida para mim. Todos os dias tenho a certeza de que nasci para isto. Gosto de comunicar de todas as maneiras. É muito difícil escolher um braço da minha profissão que me deixe mais feliz. Representar é uma coisa que me enche de experiências, é muito bom, faz parte da minha vida, e é um desafio enorme. Ser apresentadora está no meu ADN. Gosto de comunicar, faço rádio, TV, tenho o meu programa no Youtube... A minha vida de modelo já está na reforma, mas nunca nos esquecemos de uma passarela ou do dia a dia do trabalho de modelo. É difícil escolher... Amo o meu trabalho e todos os caminhos onde ele me leva. Adoro até esta nova forma de me relacionar com as pessoas, através das redes sociais, com lives, a brincar, a mostrar a minha vida no YouTube.
É muito elogiada pela sua versatilidade à frente das câmaras. Quais são, no seu entender, as características essenciais para saber comunicar com todos os públicos?
Acho que é uma coisa muito minha, não consigo explicar. É muito natural. Procuro trazer o máximo de verdade possível para as câmaras e tento ser o mais espontânea possível. Não importa a quem me dirijo, pessoas mais novas, mais velhas... tento ser sempre eu. Acho que conquistamos muito mais quando somos honestos, próximos, quando abrimos o coração para falar dos erros, sucessos, medos. Gosto de chegar bem perto de mim, o máximo possível, em frente às câmaras.
Durante muitos anos, foi 'a namorada do Ayrton Senna' para o mundo inteiro. Sente que teve de se esforçar mais para ver o seu talento reconhecido?
Carrego a história com o Ayrton como um escudo, não como um fardo. Atravesso a minha vida com essa história. Fez parte de um momento muito, muito, muito, alegre, muito importante e muito trágico da minha vida. É uma marca que não tenho como apagar ou deixar para trás. Tenho muito orgulho dessa história e nem sequer é um problema falar dele. Também não tenho nenhum problema que as pessoas
me associem a ele. O esforço que fiz para separar as coisas e conseguir fazer o meu caminho, a minha história, teve a ver com as contas para pagar, com encontrar o meu espaço para poder sobreviver naquela altura, e recomeçar a minha vida profissional, não por qualquer tipo de necessidade de desligamento.
Aprendeu cedo que a exposição pública pode trazer coisas boas e más. Como lida hoje com as críticas?
A exposição num primeiro momento parece divertida. Até que te deparas com os problemas associados. Mas eu, particularmente, sempre 'tirei de letra', nunca me incomodei com as agressões, até porque foram poucas graças a Deus, as pessoas sempre foram delicadas comido de uma maneira geral. Como é a minoria, evito dar qualquer tipo de espaço a essas pessoas. A minha mãe é que sofre, porque mãe é mãe, ela tem muita dificuldade em lidar com isso. E agora com as redes sociais isso ficou mais evidente. Antigamente, não havia muito por onde as pessoas pegarem - era através de uma entrevista, de um artigo maldoso, mas coisa pouca. Mas não tenho do que me queixar. Tenho uma relação com a minha vida pública e com as minhas escolhas de muito amor. A crítica faz parte da vida de quem escolhe uma carreira pública.
Disse recentemente que quer voltar para a TV aberta e há rumores de que pode estar para breve o seu regresso à Record TV...
A TV aberta está sempre nos meus planos. Fiquei 18 anos consecutivos na TV aberta, passei para a TV por assinatura. Hoje tenho as minhas redes, mas é claro que essa opção está nos meus planos. Se Deus quiser, a minha hora vai chegar e tudo vai dar certo.
Que recordações guarda da sua passagem pela Record TV, com o programa 'É Show'?
O 'É Show' foi muito marcante. Comecei a minha história na TV na CNT, depois fui para a MTV, Rede TV e, mais tarde, Record TV E foi aí onde realmente 'aconteci', onde ganhei o meu primeiro prémio como apresentadora. Tinha um programa diário que passou a semanal,
"Procuro trazer o máximo da verdade para as câmaras e tento ser o mais espontânea possível"
Como é a sua relação com as redes sociais?
A minha relação é a melhor possível com as redes. Acho superdemocráticas. É um lugar onde cabem mesmo gregos e troianos. As redes sociais entraram na minha vida 'a rasgar'. A minha primeira rede foi o Twitter, depois o Instagram e o Facebook. Mais tarde veio o YouTube, TikTok e todas as outras redes, porque uma vez na rede social, para sempre na rede social Aliás, não dá para não estar.
Também comunica bastante no YouTube. Que tipo de conteúdos passa no seu canal?
O meu canal está muito próximo da minha verdade. Tem a louca' que fiz para a quarentena, a louca' das compras... Sou mesmo assim, louca por compras, pela vida, por ginástica, por comida, pelos meus amigos... Sou mesmo exagerada e a ideia de transformar isso numa personagem tem muita graça. Não consigo olhar para o YouTube sem humor. Claro que na quarentena tirei o pé do humor e mostrei os dotes culinários, o que também tem sido divertido, mas de um jeito muito mais leve, comigo a gravar no telemóvel, por exemplo.
O que não pode faltar na sua rotina diária?
Tanta coisa. Pelo menos uma corridinha ou algum outro tipo de exercício, para dar uma oxigenada no sangue e no cérebro, tem de acontecer. Muda logo o meu dia.
Está casada há 10 anos com Alexandre Iódice. O que mais a atrai no seu marido?
Este relacionamento é dos antigos. Nós já nos conhecíamos há muitos anos, mas eu reconheço e conheço o Alexandre todos os dias. É muito bom. Tenho muita admiração por ele. É o homem que amo, que me deu o que tenho de mais importante na vida, que é o Vittorio. Construímos a nossa família no dia a dia, e conhecemo-nos todos os dias. Naturalmente, temos as nossas discussões, porque somos normais, mas também temos muita lealdade e cumplicidade. Ele trabalha comigo, ajuda-me e ensina-me. Eu também trabalho, ensino, ajudo. É uma troca muito especial.
Em que medida ser mãe mudou a sua forma de encarar a vida?
Aprendo mais com o Vittorio do que lhe ensino. A vida tem de ser mais simples e as crianças mostram-nos isso todos os dias. Às vezes, queremos tudo, e as crianças mostram-nos que não é preciso. Na quarentena foi assim. No início, fiquei muito preocupada coma vida do Vittorio, um menino superdesportista, cheio de atividade. Comecei a ficar ansiosa. E ele estava ótimo. Claro que ficou mais tempo em frente à TV e ao telemóvel, e jogou mais jogos, mas o estudo em casa correu muito bem, a leitura dele melhorou. Ele ficou feliz de poder estar mais tempo conosco. Esta quarentena transformou muito a nossa família nesse capítulo. A chegada do Vittorio é um marco na minha história. Ele é a minha prioridade e as coisas que amo acontecem juntas. Não preciso de me separar das coisas que amo para construir as minhas coisas.
Já há muita coisa que ensino ao Vittorio sobre as mulheres. Ele tem dez anos, mas está bem na hora de saber. Primeiro, a forma de tratar, o respeito, o facto de sermos iguais e de gostarmos de um carinho extra. [Risos] Ele tem uma mãe que trabalha muito e sabe que sou muito feliz porque amo muito o que faço, sabe que me dedico e que, quando estou com ele, estou 100% com ele. Ele viu a mãe a trabalhar a vida inteira e isso é uma coisa muito importante para mim, que ele respeite o trabalho, entenda os limites, saiba respeitar uma mulher de verdade, saiba dar amor de verdade, não tenha nenhum tipo de competição com as mulheres. É um trabalho árduo, mas é diário.
Ainda mantém a intenção de ter mais um filho?
Intenção tenho, agora a natureza está a gritar que não, mas eu estou firme e forte. Acho-me ótima e saudável, pronta para mais um. Seja o que Deus quiser.
Aos 47 anos sente-se uma mulher realizada?
Sou uma mulher muito feliz com tudo o que conquistei. Agradecida. A gratidão faz parte da minha vida, mas eu ainda quero muito. Dizer que sou super realizada e que estou ótima dá-me um certo desespero, porque parece que está a chegar o fim.. Sou uma mulher que tem amor pelas suas escolhas, pela família, pelo trabalho e ainda tenho muito para conquistar, muitas peças de teatro para fazer, muitos programas para apresentar, muita mãe para ser... Estou feliz com o que conquistei, mas ainda quero mais.
A sua forma física é invejável. É resultado de muito sacrifício?
Para manter a forma física depois dos 40 anos comemos metade e corremos o dobro. Não há segredos. De vez em quando damos uma escapadela aqui outra ali, mas na base, não tem saída. Gosto de me sentir magra, então faço bastante exercício. Também gosto muito de comer e não resisto a uma comida do Alexandre, por isso tenho mesmo de garantir os meus exercícios.
Já passou por Portugal várias vezes e até viveu cá um tempo. Qual é a sua opinião sobre o nosso país?
Sou apaixonada por Portugal. Morei em Sintra durante um ano, foi um ano muito difícil da minha vida, mas conheci muita gente, fiz muitos amigos e tive o carinho de um país muito próximo - a língua aproxima-nos muito. Tudo o que vejo e ouço de Portugal enche-me de emoção. Amo a comida, as pessoas, os lugares... sou uma apaixonada por Portugal






Perfeita. Sabe o que fala!!! Ansioso pela volta para a tv. Que sempre foi o lugar dela!❤
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