POR HERMÉS GALVÃO
FOTOS: MIRO
STYLING: GIOVANNI FRASSON
Adriane Galisteu e assunto de domínio público.
Porque ao contrário das atrizes do Tablado que não falam da vida pessoal, ela,
viva!, conta tudo para todo mundo ou, pelo menos, quase - porque, para nós,
privacidade e coisa de anônimo. E que fique claro: "Trabalho muito bem com
a exposição. Não tenho nenhum incomodo em relação a isso porque, no fundo, ninguém
sabe da minha intimidade. E mais: comecei minha história pedindo para ser
fotografada. Não acho justo ignorar a imprensa logo agora". Nosso encontro
estava marcado para as duas da tarde, a pedido dela, em seu restaurante
preferido. No caminho, a angustia de não saber o que (mais) perguntar, o que
ela teria de diferente para dizer, revelar... Enfim, a dúvida: sobre o que
Adriane Galisteu ainda não abriu ou mostrou para quem quisesse ver, ler e
ouvir? Em poucos minutos, ficaria diante da mulher mais evidente do Brasil;
semana sim, dia não, estampada em todas as revistas, correndo na praia,
meditando na pedreira, beijando o namorado número 10 (fiz a conta por alto) ou,
arrá!, desmentindo o último papel que lhe foi dado na mídia, o de namoradinha
da cantora Ana Carolina. "Sou uma mulher verdadeira e se me apaixonar por
outra, se tiver que me relacionar com uma, vai ser para valer. Mas não sou gay,
tá?" Tá bom, eu nem perguntei nada - ainda. Adriane foi a primeira
celebridade a ficar famosa antes mesmo de dizer a que veio. Digamos, então, que
ela tenha começado de trás para frente. Apareceu e depois provou porque merecia
brilhar. Ela chega ao Gero, pontualmente, recém-saída de um spa, de cara
lavada, cabelo preso, sorriso de desarmar qualquer um e aquilo que já haviam me
dito a seu respeito: "Cara, ela é uma pessoa normal, gente como a gente, não
tem muita frescura e nem faz pose de estrela". Fato, lembrei-me de uma
noite em que, por acaso, fui parar em sua casa, sem nunca tê-la visto na vida.
Fui recebido como chapinha da Lapa e lá fiquei até o amanhecer, jogando cartas
e bebendo Coca-Cola. Dessa vez não foi muito diferente. Ficamos igualmente à
vontade, rapidamente, antes mesmo de o garçom trazer o couvert. Acendemos um
cigarro, falamos palavrões levinhos, olhamos um para o outro. Chegou a hora.
Primeira pergunta? E..., você, humm, bem, por que seus namoros não duram? (Pronto,
estraguei tudo). “Quem disse que não duram?”, ela responde, com uma pergunta.
Não me parece surpresa, ao contrário. Longe de mim achar que era o primeiro a
questioná-la sobre isso. “Duram o tempo que têm de durar. Quando vejo que a
coisa não está legal, que não estou fazendo o outro feliz, que não estou feliz,
decido me separar. Depois que percebi o que era liberdade não troco ela por nada.
Porque não tem preço. Estou com 35 anos, não dá para perder tempo com uma
relação que não vai agregar. Não perco tempo mesmo. Quando lembro do pânico que
passei com as perdas irreparáveis e fora de hora do meu irmão (morto em 1996,
aos 28 anos), do meu pai (em 1988, aos 54), do Ayrton (em 1994, aos 33) e da
minha grande amiga Vera Arruda (estilista, 2004, aos 33), fico com vergonha de
sofrer por alguma coisa. Porque, se estou viva, acho que tudo é possível de se
resolver”
O monólogo segue, a conversa fica boa, Adriane
sabe levar a entrevista. De repórter passo a ouvinte, e ela, locutora e porta-voz
de si mesma, sabe o que precisa dizer, edita sua própria resposta, conduz, seduz.
“Sofri, passei por relações doentes, peguei traste para burro nessa vida. O que
eu namorei de traste, você não imagina.” Imagino sim!!! O que não sabia era que
Adriane, antes de mais nada, é magistrada. Professora mesmo, formada. Opa, deve
ter mais informações adormecidas de seu passado nunca antes revelado na Caras.
À ver: neta de imigrantes húngaros, começou a carreira aos nove anos, quando
pediu à mãe para levá-la a uma agência de talentos mirins. De cara, foi
escalada para participar da propaganda do Mc Donald's. Decorou, da noite para
dia, os ingredientes do Big Mac e assim estreou na TV. “Sempre quis estar na televisão,
meu sonho era ser a Bozolina, assistente do Bozo, e participar do Qual é a
Música” Depois, já adolescente, foi modelo de prova de calcinhas da Valisêre,
ao lado da ex-modelo Denise Céspedes, até conhecer Ayrton Senna, aos 19 anos.
Agora chega, voltemos ao presente (para saber mais de sua história com Senna,
leia o best-seller vintage O Caminho das Borboletas).
Adriane está fora do ar, ainda e bem
remunerada pelo SBT, mas, por ordens de Silvio Santos, entrou na geladeira.
“Para mim, é como se estivesse de férias. Nunca parei de trabalhar na vida,
sempre priorizei minha carreira, passava em cima de tudo (não de todos) como um
trator. Agora vou cuidar de mim, mas parada não fico. Sem fazer nada,
enlouqueceria em 30 dias. Duas coisas mexeriam comigo profundamente: perder o
trabalho e a minha mãe”.
O contrato com a emissora vence no fim
do mês e até lá nada de anunciar rompimentos, renovação ou planos para o futuro.
Seu programa de auditório acabou em março, e desde então tem vivido do bônus da
fama: viagens a trabalho, convites para todas as festas, jantares que importam,
lançamentos de empreendimentos - dos pessoais aos imobiliários —, capas de
revista, fotos e aquelas manchetes que a gente não respeita, tipo Adriane faz
cooper na Lagoa, Adriane é flagrada comendo pipoca doce, etc. “Vou ser líder de
audiência. Esse é o meu objetivo de vida. Nunca quis ser genial, não tenho pretensão
de ser intelectual. Quero ser genuína, fazer o meu trabalho, falar a verdade,
construir minha história na televisão, deixar uma marca para quando envelhecer,
olhar para trás e dizer, fiz um monte de coisas, falei com um monte de gente”
Nesse período, digamos, sabático, ela
tem vivido na ponte Rio-fun tour. Em seu apartamento carioca, no Leblon, tem
passado fins de semana esportivos. Em trânsito, pode ser vista de Capri a
Capibaribe – e consequentemente em todas as bancas. “Adoro viajar, pagando ou
de graça, não importa. Se for a trabalho, melhor ainda. Se pagam o meu cachê,
ótimo. Mas já cansei de ir e fazer graça, com o mesmo empenho. Porque se não
tem o meu preço, dependendo de quem me chamou ou para o quê, aceito de qualquer
jeito. E se o dinheiro for menos do que pedi, mando para uma instituição de
caridade. Ou ganho inteiro ou faço de graça, só não diminuo meu cachê”. Por ora
desligada da TV, então, o que será o amanhã de Galisteu? “Vou lançar outro
livro, dessa vez contando tudo o que levei para o divã em quatro anos de análise”
Tudo? “Só a parte em que falo dos meus relacionamentos. Recebo muitas cartas de
mulheres que vivem crises no casamento e pedem conselhos. Sinto que elas querem
se livrar e não sabem como. É o grande drama feminino: como sair ou entrar na relação?
Como fazer para não se machucar amando? Quero falar com elas, que vivem um
romance falido, que têm medo de tomar uma atitude. Sei que sou referência no
assunto!” Mais um título de autoajuda? “Não, e nem uma biografia. Sei que tenho
um público que vai estar louco para ler”. Assunto não vai faltar, e nem bons
exemplos de como sair por cima quando a história anda em baixa. “Geralmente sou
eu que acabo, mas não levo isso em consideração. Acho até mais fácil que terminem
comigo, prefiro mil vezes que tomem a decisão no meu lugar” Adriane, que já
chamou de seu (em ordem aleatória) os empresários Alexandre Accioly e Gabriel
Betti, o jogador de futebol Roger Flores, o aprendiz Roberto Justus, o cantor mexicano
Jaime Camil, os deputados Fábio Faria e Julio Lopes, o diretor Rogério Gallo, o
piloto Ayrton Senna e há três meses o também empresário Alexandre Iódice,
ultimamente foi apontada como a nova sou-bi-e-daí da praça. Adriane foi vista,
e apenas vista, com Ana Carolina. Certa vez, foi vista, e bem vista, de
smoking, uma coisa meio Helmut Newton, meio Saint Laurent. Pronto: Galisteu acordou
gay, namorando firme e o pior: fã de barzinho com música ao vivo. “O único ônus
da minha profissão e da exposição é o julgamento, e geralmente de pessoas
próximas. Quem publicou isso está careca de saber que tenho vários amigos e amigas.
E que a opção sexual de cada um deles não me diz respeito. Assim como a minha
não interessa a ninguém e nem pode ser relevante. A não ser para a pessoa que está
ao meu lado e ponto final. Isso é um tipo de coisa que não discuto. Dou todas as
matérias do mundo, falo de todos os assuntos. Quer falar de sacanagem, vamos
falar de sacanagem, mas quando envolve outra pessoa você não pode falar de
determinadas coisas. Tem alguém mais envolvido ali e ela pode querer ou não
falar sobre isso” Ana Carolina, definitivamente, não namora Galisteu. E até o
fechamento desta edição, Galisteu estava, e muito bem, com Iódice. Encontrei os
dois recentemente em Paris e conferi: formam um simpático casal. Se vai durar?
“Gostaria de ter um filho dele, mas não é a primeira coisa que vem à cabeça.
Quero mesmo um relacionamento estável, ter filho nunca foi a minha meta. Tem
mulher que veio ao mundo para ser mãe. Sinceramente, não sei se quero isso para
mim” Respondida a pergunta?
Pausa na entrevista, chega o nosso
almoço. Dri (já estou íntimo) come sua tradicional salada de lulas e camarões.
O gravador segue ligado, eu sigo atento. E ela segue o assunto. “O que causa
confusão é que são as pessoas mais próximas que me julgam, me acusam de ser gay
ou de ser oportunista, por exemplo. O público não tem esse costume. Sou muito
simples, meus hábitos são muito simples. Sempre estive bem cercada, de amigos
que me ajudaram, que me mostraram os caminhos, mas que nunca me deram nada de
graça. Soube aproveitar as oportunidades que a vida me ofereceu. Oportunista não
tem escrúpulo, passa por cima de todo mundo, sem perceber o que está fazendo
com os outros. E no meu caso, uma coisa que não faço é falar que o meu está certo
e o seu está errado, não me aproximo de gente que só gosta de estar com você para
aparecer na foto. Nunca tive baba-ovo, nunca paguei babá de estrela, não é do
meu temperamento. Se você me vir na rua com alguém, pode ter certeza que é meu
amigo, que eu trouxe para dentro da minha vida” Já passa das cinco da tarde,
estávamos a sós no salão do restaurante, os garçons fingem que não estamos ali.
Muito à vontade, ficamos. Fim da entrevista, ela pede a conta. “Sou meio
machinha, talvez a diferença entre mim e o homem seja o pau. Às vezes, tenho que
segurar isso. Sempre tomo a frente, pago a conta, abro a porta do carro,
dirijo, enfim. Me pego tomando atitudes totalmente masculinas, mas me controlo
para ser mulher e deixar que os meus namorados tomem a frente”.
No caso, Adriane foi bem “machinha”:
pagou a conta, me deu carona e abriu a porta de seu trator blindado para eu
entrar. Nos despedimos, marcamos um encontro qualquer, ficamos de nos ver em
breve. O mulherão segue seu caminho, eu sigo o meu concordando com o que me
disse mais cedo: “Pobre menina rica é o cacete”.
Revista RG Vogue - Setembro 2008
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